domingo, 22 de dezembro de 2013

Medicalização e aprendizagem

       Nos dias 13 e 27 de novembro de 2013, Lucianna esteve conosco ministrando a oficina: "Medicalização e aprendizagem".

Lucianna de Lima, psicóloga escolar, inicia a oficina nos perguntando o que entendiamos por medicalização para construirmos juntas um novo olhar sobre o tema no contexto escolar. Diante disso, Lucianna traz a definição dessa palavra, retirado do fórum de medicalização:


"Entende-se por medicalização o processo em que as questões da vida social, sempre complexas, multifatoriais, marcadas pela cultura e pelo tempo histórico, são reduzidas à lógica médica, vinculando aquilo que não está adequado às normas sociais a uma suposta causalidade orgânica, expressa no adoecimento do indivíduo."


Diante disso, fomos desmistificando várias crenças e lógicas medicalizantes, inclusive a comprovação científica quanto ao diagnóstico de TDAH e dislexia. Também discutimos a culpabilização dos problemas ocorridos na escola/aprendizagem, que muitas vezes são tidos como causa apenas da escola, da família ou mesmo do próprio aluno. Concluimos que tais questões consideradas problema são consequência de inúmeros fatores concomitantes que envolve o sujeito e todo o contexto em que ele está inserido.


Ainda discutindo sobre tal lógica medicalizante, que incentiva cada vez mais diagnosticar qualquer criança que nos apresente desafios nas relações interpessoais, tendemos a rotular, principalmente, esses alunos. Diante disso, a ministrante nos apresenta o seguinte vídeo:






Ao final do vídeo, podemos perceber uma denúncia ao consumo desenfreado e ao bem-estar a qualquer preço, de forma imediatista. Tal cultura consumista e medicalizante promovem uma inversão:  a indústria farmacêutica passou a fabricar doenças para remédios e não remédios para doenças, tendo em vista o lucro.


Quanto ao tema consumismo, Lucianna recomenda o documentário: "Criança - a alma do negócio", dirigido pela cineasta Estela Renner, o qual aborda especificamente questões relativas ao consumismo infantil.







Diante de tudo o que foi apresentado, inúmeras foram as suas contribuições, principalmente no que tange às práticas escolares. Para partilharmos ainda mais essas experiências, a ministrante propõe uma atividade, em que vocês apresentaram as principais dificuldades enfrentadas na escola, bem como possíveis caminhos para o enfrentamento dessas situações.


Sobre isso, Boarini (2009, p.129) afirma que:

"É preciso romper com a naturalização dos fenômenos e com a busca de soluções rápidas/ mágicas para problemas complexos"

Sendo assim, o que propomos é que cada um reflita sobre sua responsibilidade e formas de atuação que visem a transformação!


Também foram passados os seguintes vídeos:








Indicações:


-Livros:


"O frio pode ser quente?" - Jandira Masur


"Hiperatividade, higiene mental, psicotrópicos: enigmas da Caixa de Pandora"-  Maria Lúcia Boarini e Roselania Francisconi Borges


"A institucionalização invisível"-   Maria A. Afonso Moysés



-Links:


Fórum de medicalização:   http://medicalizacao.com.br/




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